Em defesa da Casa do Movimento Popular


Tentaram
desmobilizar o movimento popular e a cultura independente de Contagem, mas não conseguiram. Ao contrário deles, os independentes, sempre se mantiveram coerentes, éticos e não se venderam pela troca de cargos na política suja do governo de Contagem. Estamos nos referindo a uma parte da direção da Casa do Movimento Popular, que agiu de forma extremamente desrespeitosa com os movimentos populares e culturais desta cidade e região do entorno. Esta nota é elaborada no sentido de denunciar essa direção autoritária e burocrática que novamente fecha a Casa do Movimento Popular em troca de privilégios para um grupo político. Ao mesmo tempo tem o intuito de informar e convocar todos e todas de Contagem, Belo Horizonte e cidades da região metropolitana para um ampla discussão e mobilização pela Casa do Movimento Popular, que em sua função social deve assistir e agregar todas essas regiões.

A Casa do Movimento Popular está localizada na Av. General David Sarnoff, 117 – Cidade Industrial – Contagem, mas suas ações devem abranger todas as cidades da região metropolitana de Belo Horizonte. O local é um casarão com várias salas e um anfiteatro com cerca de 140 lugares.

A Casa do Movimento Popular é uma importante associação civil sem fins lucrativos criada na década de 80 na cidade de Contagem, fruto das mobilizações e lutas operárias que se seguiram mesmo durante os anos de chumbo e perseguição da ditadura militar. Lutas importantes aconteceram em nossa cidade e a Casa do Movimento Popular é filha destas mobilizações. A função social da Casa é abrigar movimentos sociais, servir como uma base de apoio para reuniões e ações, no sentido de fortalecer a luta pelos direitos humanos e pela consolidações da cidadania. Como é uma associação, deve ter um processo de associar pessoas sempre aberto e democrático condizendo com o sentido do local, realizar eleições e envolver a sociedade em torno das decisões do espaço.

A partir de fevereiro de 2014 o Fórum Popular de Cultura passou a realizar ações neste local, acreditando num diálogo e numa ação de valorização, resgate e memória da Casa para a cidade. Mesmo tendo uma história tão rica, poucas pessoas conheciam o local, as eleições tem sido feitas sem transparência e sem um amplo processo de mobilização e envolvimento da sociedade. O que era para ser obvio devido ao próprio nome do local, “Casa do Movimento Popular”, que em síntese já deixa bem claro a função social e a quem deve servir este espaço.

Como o intuito do FPC nunca foi disputar a direção do espaço e sim assegurar sua função social, a entrada para o local resultou numa agenda mensal de reuniões para deliberar sobre tudo que ocorria na casa, desde atividades culturais a mobilizações para reformas e melhorais para o local. O espaço, que estava abandonado, a partir do momento que se abriu para uma nova gestão e para os movimentos sociais, com cada vez mais presença de atividades culturais, voltou a cumprir sua função social e a ser conhecido enquanto espaço popular.Várias pessoas passaram a ficar sabendo da existência da Casa do Movimento Popular que em pouco menos de um ano passou a ser o principal espaço cultural da cidade, e o principal polo resistência política independente. Isso por que além de atrair artistas e público, a casa voltou a receber reuniões de sindicatos, assembleias de movimentos e até formaturas de escolas públicas.

Em dezembro de 2014, uma parte da diretoria da Casa do Movimento Popular, não se importando como a função social deste espaço, começou a negociar a execução de um novo projeto no local, que viria por fim a todas estas ações citadas acima. Descreveremos todo o processo de dezembro até agora para dizer que basta de burocratização e de posturas criminosas neste espaço que deve servir aos movimentos populares e não a interesses de um grupo político.

Em dezembro quando recebemos a notícia, o que sabíamos por repasse de duas pessoas que compõem a direção e ainda se mantém ao nosso lado excluída pela outra parte da direção, é que a Casa faria uma parceria com a OAB para instalação de uma rede de TV comunitária no local. A princípio eles queriam todo o espaço para isso. Após algumas conversas e revisão de um contrato que já estava pronto, ficou acordado que a TV usaria apenas uma área da casa, de que o auditório teria um uso compartilhado, ficando livre em alguns dias da semana, que a casa teria de cinco a dez horas de programação semanal na TV e que a OAB faria um revitalização do local, equipando e reformando também o anfiteatro.

Seguindo a metodologia que já vinha sendo adotada com sucesso no espaço, foi acordado uma reunião entre a direção da Casa, OAB, representantes da TV, FPC, movimento da cultura independente, sindicatos e qualquer pessoa interessada, pois seria uma reunião pública, como sempre fizemos. Essa reunião oi marcada com mais de um mês de antecedência para o dia 26 de janeiro deste ano na própria casa. Entre o período deste acordo e da realização da reunião tiramos férias de final de ano e retornamos para as atividades após o dia 10 de janeiro. Foi aí que aconteceu a primeira surpresa, a Casa estava com novos cadeados e os duas pessoas da direção que acompanhavam o movimento estavam na casa um dia antes dos cadeados serem trocados e mesmo assim não foram comunicados, no dia seguinte ficaram presos do lado de fora tentando entender o que estava acontecendo. Após este fato, não entraram mais na casa e algumas atividades que já estavam programadas para o local, como a Mostra de Cinema Direitos Humanos, ensaios e oficinas da cia. Crônica de Teatro, ensaios e oficinas de dança de rua, um baile de carnaval, foram prejudicados. Além de desrespeito com os vários grupos de artistas e produtores culturais, foi um extremo desrespeito com o público destas ações, várias delas com caráter de formação e que não puderam ser continuadas.

Resolvemos então, esperar até dia 26 e conversar na reunião, esclarecer as coisas e entender melhor o quê estava acontecendo. No dia da reunião, mesmo com chuva, mais de 30 pessoas compareceram, menos os representantes da OAB e da TV e claro, a outra parte da direção da casa. É importante entender que muitas pessoas lá estavam não por causa da discussão sobre o contrato da TV com a casa, mas apareceram por ter em vista propor atividades para a Casa ou participar de eventos que já estavam previstos de acontecer. A reunião foi feita do lado de fora em baixo de chuva, pois a Casa estava trancada com novos cadeados. Na entrada uma faixa com a logo da OAB e da TV RIP dizendo que as atividades da Casa do Movimento Popular estavam suspensas. Em seguida recebemos várias justificativas que podiam até serem aceitas, não fosse o fato desta parte da direção da casa ficar se esquivando e não querer marcar outra reunião e nem receber os representantes do FPC. Como se não bastasse fomos surpreendidos ao ver fotos nas redes sociais criminalizando o local com dizeres de que ele estava abandonado, numa ação muito estranha, pois no dia seguinte de ter tirados as fotos retratando o tal abandono, a mesma pessoa tirava fotos também do espaço cercado por enorme muro de lata que agora cercava até o acesso aos jardins que estávamos construindo a partir de mobilizações e mutirões.

Após muitas tentativas, essa parte burocrática da direção da Casa resolveu receber a outra parte da direção que nos acompanhava, mas se recusou a receber o FPC e se reunir publicamente. O repasse que nos foi feito desta reunião é de que nem mesmo o presidente da casa teria as novas chaves e um novo personagem surgia na história. Antes porém precisamos expor os personagens desta parte burocrática: na diretoria da casa estão Márcio Amaral e Eduardo Campos, no entanto existe também a figura de Lindomar Gomes que mesmo não sendo da diretoria, participa destas reuniões fechadas e de todas as negociações, pois todos estes três são de um grupo político ligado ao PT de Contagem. O novo personagem é a figura de Jorge Piriquito, que parece estar a frente do projeto junto à OAB e esse grupo político que compõem a direção da casa. Apenas Jorge e os representante da TV teriam as chaves da casa, pessoas que nunca estiveram no local nas mobilizações e reuniões públicas para assegurar a participação e acesso democrático de todos e todas ao local.

Outra informação que recebemos desta reunião foi que a casa passaria pela reforma, mas que tudo seria como foi acordado em dezembro. Mesmo assim questionamos que nosso acordo incluía uma reunião pública para deliberar sobre essa parceria, que era um acordo para aproximar o projeto das pessoas assegurando a participação e para sanar qualquer dúvida. Mesmo assim não tinham mais conversa e o prazo para que a reforma se concluísse e a dinâmica de participação fosse restabelecida no local seria final de março, início de abril.

O resultado é que estamos até hoje do lado de fora, cenários, figurinos e documentos da Cia. Crônica de Teatro estão presos no local. Além disso, equipamento de som, discos, centenas livros, utensílios, equipamentos de cozinha, roupas etc. Tudo preso dentro da casa, que está fechada. Contraditoriamente esse grupo político, junto ao OAB e representantes da TV, estão se reunindo na calada com vários outros movimentos e grupos da cidade que não fazem parte das articulações que viam ocorrendo na casa de forma aberta e democrática. As duas pessoas da direção que nos acompanhavam, continuam ao nosso lado e excluídos de todo esse processo.

Essa arbitrariedade prejudicou várias ações dos movimento culturais, interrompeu oficinas e foi uma tentativa de desmobilizar um movimento que cresce a cada dia. A cultura independente de Contagem está cada vez se unindo mais para fazer ações na cidade, debates, discussões e se somando a outras lutas pelo direito a cidade. Daremos uma resposta de forma organizada a este grupo político que se utiliza da Casa por benefícios próprios. A Casa do Movimento Popular tem o objetivo de servir aos movimentos sociais, e não a interesses financeiros ou de panelinhas políticas. Essa é uma questão de denunciar à sociedade e as autoridades para impedir que novamente um espaço que é do povo seja utilizado para fins escusos. Para isso faremos reuniões e mobilizações, convocamos a todos e todas que fiquem atentos aos chamados, que participem e denunciem. A Casa do Movimento Popular é da cidade e das cidades da região metropolitana de BH, não de um grupo burocrático.

Veja a faixa

Casa do Movimento Popular fechada pela OAB

Confira a fala dos burocráticos

Evento que não pôde acontecer


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Sobre fpccontagem

O Fórum Popular de Cultura é um espaço aberto para discussão e organização dos artistas de Contagem. Seu objetivo maior é a luta por políticas publicas de cultura e melhores condições para o fomento, acesso e difusão cultural para o cenário cultural da cidade. O Fórum além de criar espaços para o debate como o seminário – Contagem Cultura em Debate, esta aberto a todo tipo de participação popular que queira se juntar a essa luta. INTERAJA CONOSCO
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