Carta de Marcelo Dias Costa

Essa carta foi enviada por Marcelo Dias Costa para ser lida no lançamento do seu novo livro na cidade de Contagem. Na ocasão o autor não estava presente por estar sobre ameaça de morte; VEJA MAIS SOBRE O OCORRIDO AQUI

Quando não me deixaram ir ao lançamento do livro que escrevi

Por Marcelo Dias Costa

Querem fazer-nos bicho acossado. Nunca houve outro motivo senão por nossa luz. Vocês, seres que operam em gestação de serviçais, vocês andam perplexos. E por isso nos acusam de crimes dos quais são vocês os especialistas. Cínicos, reclamam que falamos por símbolos, quando são vocês os que forjam evidências a fim que justifiquem a morte dos que assassinam. Se sua violência não me deixa nesse momento te dizer mais claramente, saiba que aqueles que lutam ao meu lado evidenciarão toda sua estupidez. Serão muitos os que reconhecerão toda verdade. Entende que seu fascínio por sangue obriga-nos que usemos… Máscaras? A fugir de sua presença? Não vê que nenhum objetivo realmente grandioso poderá ser conduzido por suas mãos? Os primeiros que em prontidão se aproximaram, você os difamou! Lembra? Não bastando, tentou nos condenar ao esquecimento e à marginalidade – os mesmos que te fizeram olhar no espelho e enxergar que sua miséria governava toda cidade. Eu te conheço, por isso nunca esperei que assumisse isso publicamente. Do que entende, é de ameaça! E sua política? É fundamentada no terror!

Por onde for sua pobreza será contada. E o que renega te perseguirá! Está em você, não está em mim. Bastou nossa presença pra te afirmar ser asquerosa. E é por isso que continuarei expondo seu ridículo. Falarei da sua avareza, da sua cômica ascensão social! Pensou em tudo, não foi?! Pensou possuir uma cidade, se cercou de gente próxima, de gente baixa e sem escrúpulos. Tudo isso pra proteger seu poder desonesto, sua tola aspiração de grandeza. Você realmente é capaz de tudo. Mas em tudo você consegue ser um nada! E quando pensa, pensa a curto prazo. Percebe que sua cabeça maquina somente o mal? Não disse que te conhecia? Conheço bem. Agora, melhor. Por isso afirmo que nada existirá em você pra que seja contado. Nada além do que a história, a estória do seu ridículo! Nós destruiremos tudo que for alicerçado sobre sua ignorância. Seremos nós os que desmentirão sua verdade. Conhecemos sua mentira! Em nada do que fala, ou faz, o amor se reconhece. Pode ser que tenha razão, somos seres “microscópicos”, mas que saiba: De efeito devastador e irreversível!

Assim como os seus, você não reconheceu a dádiva da tua liberdade. E por isso a quem deveria servir, oprimiu. Enquanto buscávamos igualdade você ambicionava por supremacia. Já pensou que talvez seja por isso que os que aproximam de você logo reivindicam por sanidade? Já te disseram que o fim é a trajetória com que alcança? Sim, já te disseram. Você não escutou mesmo vindo de voz imperativa e generosa. Você nunca quis dar ouvidos às aspirações do seu povo. Mas ainda que não nos queira em suas bibliotecas, você há de nos escutar na boca de toda gente.

Você, deficiente de caráter, homem que cambaleia pra direita e pra esquerda por conveniência, que firma trato com milícias e persegue educadores e artistas, seu dinheiro sanguinolento não será capaz de te esconder quando cair. E seus jornais de “confiança” serão os primeiros a venderem os risos que sua queda hão de provocar. Eu não havia desejado que isso te acontecesse. O que talvez tenha sido um erro. Deveria ter melhor me atentado à violência que sempre soube ser sua. Certamente damos pouco crédito ao assassino que se anuncia. E dizemos: “Eles não terão coragem”. Mas você, você tem… Você tem a vileza e a perversidade comum do ser pequeno. Todos saberão!

Você, reprodutora de impropérios, miss narcotráfico, mulher que nunca foi capaz de compreender o poder da palavra, da palavra quando quântica, da palavra que dança sob uma autoridade que você desconhece, saiba que uma palavra nos bastará pra que mudemos o mundo sem que você nem mesmo perceba.

Não, não sou mesmo da sua gente. E é isso o que te incomoda!Não consegue entender que ainda há gente que não se compra com cargos ou propina, ou com sua política “do que você precisa que cale a boca”?! Precisamos do que você nunca pôde dar por competência. A lacuna do seu despreparo sempre foi instransponível. Pensou mesmo que sua promessa de morte me faria bicho acossado?! Somos nós os que te conhecem, pequena suja! E somos muitos pra que você possa a todos assassinar – como a mim foi prometido.

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2 respostas para Carta de Marcelo Dias Costa

  1. Pingback: Ameaçado de morte o jornalista e dramaturgo Marcelo Dias Costa lançou seu novo livro em Contagem – MG. |

  2. tobiasteixeira disse:

    Esse texto é muito forte. Lê-lo depois de muito tempo não o faz mais ameno.

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