Nota sensível sobre o Corredor Baderna Cultural

Contagem 24 de setembro de 2013.

Em 29 anos nunca vi algo tão expressivo, forte naquela rua de pedras entre as casinhas coloridas e a rua. Dr. Cassiano quanto o Corredor Baderna Cultural.

Nasci na casa rosa, hoje biblioteca Pública de Contagem, morei até meus 4 anos e poucos meses e após, mudei para  a casa ao lado – Rua Francisco Sales 31, aquela casa da mangueira gigante – até os 13 anos minhas brincadeiras, fantasias, aventuras foram ali.

 Daquela pequena escada para entrar na “Casa Rosa” o quê mais recordo é da minha família e vizinhos sentados conversando, trocando histórias, piadas e gargalhadas em uma amizade que até hoje não se desfez, éramos pessoas fraternalmente ligadas. E quantas brincadeiras? De pega, de balão d’água, de mamona (rs’), pique esconde e também, o primeiro tombo de bicicleta, a espera por alguém chegar, o beijo no primeiro amor… e os segredos que aquelas pedras guardam com tanta sutileza.

Após mudar da Francisco Sales, retornei àquele espaço aos 15 anos em 1999, como integrante de um espetáculo infantil e ali comecei a me formar atriz e desde então assumi o orgulho de morar nessa cidade.

Participei como plateia e mesmo organizadora de muitas ações culturais que aconteceram naquele perímetro, mas não desfazendo de nenhuma delas, o corredor da Baderna entrará para história cultural de Contagem, quer dizer, já entrou! Porque realmente foi completo, onde teve oficinas, brincadeiras, intervenções, teatro, música, comidas, bebidas, chupe-chupe, banho de mangueira e mais e mais, que dialogaram com aquele espaço, considerando sua identidade.

A “Baderna” emocionou minha alma, da qual essa Contagem fez tão sensível a ela. Pois no primeiro dia de primavera de 2013 revivi e vivi o sentimento de pertencimento. Novamente naquelas pedras trocamos histórias, olhares, brincadeiras, sorriso, arte… Um dia cultural onde todos conversavam sem distinção, artistas e “plateia” eram iguais e o conhecido e o desconhecido se interagiam sem pretensão, e todos estavam ali, simplesmente ali dividindo aquele dia. Não via algo tão bonito naquele lugar há tanto tempo.

É estranho me ouvi e me ver escrever falando tão bem sobre um evento cultural, do qual eu fui uma das idealizadoras e organizadoras, pode soar um pouco pretencioso, mas peço para quem ler este texto, entenda que ele apenas é um agradecimento sincero a todos que participaram, pois me emocionou por completo vê os que passavam ao meu lado felizes por estarem ali dividindo fraternalmente aquele espaço que é tão significante em minha história pessoal.

Obrigada Jessé pelo “estado presente” na performance que dividiu comigo, foi lindo! E obrigada a todos sem distinção entre amigos, artistas, público e passantes, vocês me fizeram reviver e viver sensações de felicidade impagáveis e reafirmaram como se faz uma ação cultural que respeita a identidade e não desconsidera a história.

E os que estavam na votação…. Instituíram aquela rua sem nome de: Rua Marietta Maria Baderna, onde acontece o corredor da Baderna Cultural e que sejamos esses baderneiros que rompem pensamentos estagnados por meio da arte considerando sempre seu contexto.

Daniela Graciere

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4 respostas para Nota sensível sobre o Corredor Baderna Cultural

  1. É preciso conhecer a nossa história para compreender o presente e vislumbrar o futuro. Lindo!

  2. Dâmaris disse:

    Lindo texto Daniela! Emocionei, compartilho dos seus sentimentos.

  3. Débora Arau disse:

    que lindo!!!! nao deixaremos a história do corredor morrer! e faremos parte dela, com certeza, cada dia mais.

  4. Tem razão o Jessé quando diz que uma cidade sem memória é um lugar sem identidade….. Linda história, belas memórias, viva o Corredor e cada um e cada uma que o constroem….

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